50 construções que fizeram historia: Exposição no Centro de Memória Fluminense traz um levantamento minucioso de prédios da cidade

Sem dúvida, é o mais criativo inventário da arquitetura de Niterói feito até hoje. E, o melhor de tudo, o público poderá ter acesso a partir de outubro. A exposição “50 edifícios construindo Niterói” traz um levantamento minucioso de prédios da cidade, feito pelo arquiteto Luiz Marcello Gomes Ribeiro. A partir do dia 5 será apresentada no Centro de Memória Fluminense, que fica dentro da biblioteca da UFF, no Gragoatá.

A pesquisa de Luiz Marcello, de 50 anos, mestre em patrimônio e cultura, começou como um trabalho de doutorado na Universidade Católica Portuguesa, no Porto. A partir de um questionário aplicado a mais de 80 pessoas, ele chegou às 50 construções — ainda de pé — que melhor contassem a trajetória de Niterói.

O grande barato da mostra, porém, é a linguagem contemporânea usada pelo arquiteto. “Não se trata só de uma seleção de patrimônios históricos”, diz ele, que primeiro fez o levantamento métrico e fotográfico de cada prédio. Depois, com o auxílio de softwares, criou ilustrações vetoriais. E finalizou com um estudo cromático alusivo a cada época, que completa cenário. O resultado gráfico é uma apresentação lúdica e pop, com uma extraordinária riqueza de detalhes das fachadas.

Estão lá prédios clássicos como o Theatro Municipal, o Solar do Jambeiro, o Palácio dos Correios, a Cantareira e o Casarão de Charitas (a antiga Fazenda Jurujuba). Assim como os fortes São Luís e Gragoatá, e a Fortaleza Santa Cruz. O levantamento tem também construções religiosas, como a Catedral de São João Batista e o monumento Nossa Senhora Auxiliadora, atrás do Salesiano.

Mas inclui também prédios menos conhecidos, como o palacete Renaud Lage, na Ilha de Santa Cruz, ou que viraram paisagem comum, como o Chafariz da Memória, no Rink. Cada imagem virá acompanhada de um pequeno histórico. “A seleção começa com construções de alguns séculos atrás e vai até o Cinema Icaraí, que é a mais recente, de 1947”, diz Luiz Marcello, que já planeja outro projeto, “Nictheroy desaparecendo”, sobre prédios que sumiram do mapa: “O problema é conseguir bons registros fotográficos.”

 

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